
Nos dias 23 e 24 de outubro de 2025, às vésperas da COP-30, que este ano será realizada no Brasil, a Associação Hã-hã-hãe Indígena de Água Vermelha – AHIAV, em parceria com a Coordenação Ecumênica de Serviço – CESE e com o apoio da Superintendência de Políticas para Povos Indígenas do Estado da Bahia, reuniu juventude e mulheres Pataxó Hã-hã-hãe em um encontro histórico pela Justiça Climática no Sul da Bahia.
O encontro aconteceu no Colégio Estadual da Aldeia Indígena Caramuru, Terra Indígena Caramuru, em Pau Brasil (BA), o Encontro “Juventude e Mulheres Pataxó Hã-hã-hãe na Luta pela Justiça Climática” — uma ação histórica, formativa e cultural, que reuniu lideranças indígenas, juventudes e mulheres do povo Pataxó Hã-hã-hãe para debater os desafios e caminhos da luta climática a partir dos territórios.
🌎 Um marco na história do povo Pataxó Hã-hã-hãe
Integrando a agenda de formação socioambiental da AHIAV, o encontro teve como objetivo fortalecer o protagonismo das juventudes e das mulheres indígenas, promover o diálogo entre saberes tradicionais e científicos e construir, de forma coletiva, uma Agenda Climática Local, Regional e Global.
Durante dois dias de atividades intensas, as discussões giraram em torno de estratégias sustentáveis de enfrentamento à crise climática, como o fortalecimento da agricultura familiar indígena, a valorização dos quintais produtivos agroecológicos, a recuperação de nascentes e matas ciliares e o resgate das práticas ancestrais de manejo da Mata Atlântica.
O encontro foi também um marco político, sendo a primeira vez que o tema das mudanças climáticas foi debatido diretamente em território indígena no sul da Bahia, a partir da vivência, da sabedoria e da resistência do povo Pataxó Hã-hã-hãe.







🔥 Cultura, espiritualidade e força coletiva
A programação teve início com um ritual tradicional (Tohé) conduzido pelo grupo de jovens Kamaiurá, simbolizando a espiritualidade, a força ancestral e a conexão com a Mãe Terra.
Em seguida, o presidente da AHIAV, Fabrício Titiah, realizou a leitura da Carta Institucional da Associação, agradecendo as organizações que apoiaram o encontro e reafirmando o compromisso da entidade — que completa 20 anos em 2026 — com a justiça climática, a autonomia dos povos indígenas e a defesa do território.

“O diálogo sobre o clima precisa partir dos territórios, onde os impactos são sentidos e as soluções sustentáveis já estão sendo construídas com sabedoria ancestral”, destacou Fabrício Titiah, presidente da AHIAV.
Feira de exposições de produções dos indígenas do território – intitulado “Nosso território produz vida”
Durante o encontro aconteceu a Feira de Produções Indígenas Pataxó Hã-hã-hãe, mulheres artesãs e agricultores familiares expuseram e comercializaram artesanatos tradicionais, alimentos e produtos da agricultura indígena, fortalecendo a economia circular, a soberania alimentar e a sustentabilidade cultural. A ideia da feira também era apresentar as produções sustentáveis dos indígenas Pataxó Hã-hã-hãe como uma alternativa estratégica no enfrentamento da crise climática.






No encerramento do primeiro dia do encontro (24/10), tivemos uma noite cultural organizada pela juventude do grupo cultural Kamaiurá, marcada por muitos rituais, tohé, desfiles culturais e comidas típicas.




🪶 Saberes que se unem pela Mãe Terra

Com o apoio técnico e pedagógico da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), professores e pesquisadores conduziram rodas de conversa e palestras sobre justiça climática, direitos socioambientais e os impactos das mudanças climáticas nos territórios tradicionais.





Entre os convidados estiveram o Prof. Dr. Guilhardes Júnior, a Profa. Dra. Lina María e o Prof. Dr. Emerson Lucena, que dialogaram com os participantes sobre como a união entre o conhecimento científico e o saber tradicional é essencial para a adaptação e mitigação dos efeitos da crise climática.
A juventude indígena participou ativamente das discussões, apresentando experiências e propostas concretas para a construção de um futuro sustentável, enraizado na ancestralidade e na coletividade.
🌾 Carta Manifesto e criação do Grupo de Juventude e Mulheres Pataxó Hã-hã-hãe pelo Clima

O encerramento do encontro foi marcado por uma plenária final participativa, onde foi elaborada a Carta Manifesto Pataxó Hã-hã-hãe pela Justiça Climática — um documento histórico que sintetiza os compromissos e propostas construídas durante os dois dias de atividades.
Entre as principais deliberações estão:
- Criação do Grupo de Juventude e Mulheres Pataxó Hã-hã-hãe pelo Clima;
- Realização de encontros anuais sobre clima e território;
- Inclusão da pauta climática nas agendas políticas e culturais das comunidades;
- Fortalecimento da articulação com universidades, órgãos públicos e movimentos sociais;
- Divulgação da Carta Manifesto durante a COP-30, garantindo que a voz indígena Pataxó Hã-hã-hãe ecoe no debate climático global.


🌺 Encerramento com esperança e compromisso coletivo
O encontro promovido pela AHIAV, com o apoio da CESE e da Superintendência de Políticas para Povos Indígenas da Bahia, foi encerrado com um ritual de reafirmação da luta em defesa da vida, da terra e do clima, conduzido por jovens e mulheres.
Entre cânticos, danças e falas emocionadas, o sentimento que tomou conta do evento foi o de esperança e continuidade da luta.
“Estamos reafirmando que sem os povos indígenas não há justiça climática possível. A nossa voz tem que ser ouvida pelo mundo. A resposta para o clima somos nós.”
— Trecho da Carta Manifesto Pataxó Hã-hã-hãe pela Justiça Climática
