AHIAV tem participação histórica na COP 30 e leva a voz do povo Pataxó Hã-hã-hãe aos debates globais sobre o clima

A Associação Hã-hã-hãe Indígena de Água Vermelha (AHIAV) protagonizou um momento histórico ao participar da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), realizada no Brasil, em Belém do Pará. A presença da AHIAV neste espaço internacional de negociação climática reafirma o protagonismo dos povos indígenas na defesa da justiça climática, dos direitos territoriais e da proteção dos biomas brasileiros, em especial a Mata Atlântica.

Representando a AHIAV, o presidente Fabrício Titiah esteve ativamente envolvido em debates, articulações políticas e espaços de negociação sobre a crise climática, levando a perspectiva dos povos indígenas do Nordeste e denunciando os impactos diretos das mudanças climáticas sobre os territórios tradicionais. Sua atuação destacou a urgência de que as decisões globais sobre o clima reconheçam os povos indígenas como sujeitos centrais na proteção da biodiversidade e na construção de soluções sustentáveis.

A Mata Atlântica no centro do debate climático

Durante a COP 30, Fabrício Titiah reforçou a importância da Mata Atlântica como um bioma estratégico para o equilíbrio climático, historicamente explorado e hoje profundamente ameaçado. Ao levar a realidade vivida pelo povo Pataxó Hã-hã-hãe, o presidente da AHIAV evidenciou que a crise climática não é um fenômeno distante, mas uma realidade cotidiana que afeta diretamente a segurança alimentar, o acesso à água, a cultura e o modo de vida indígena.

A participação da AHIAV contribuiu para ampliar o debate sobre a necessidade de políticas climáticas que considerem as especificidades dos diferentes biomas e territórios, garantindo financiamento climático, proteção territorial e o fortalecimento das iniciativas comunitárias conduzidas pelos próprios povos indígenas.

Carta da juventude e das mulheres Pataxó Hã-hã-hãe

Um dos momentos mais simbólicos da participação da AHIAV na COP 30 foi a apresentação da carta construída pela juventude e pelas mulheres Pataxó Hã-hã-hãe, entregue pelo presidente Fabrício Titiah durante a conferência. O documento expressa reivindicações, denúncias e propostas concretas na luta pela justiça climática, a partir da vivência no território.

A carta é resultado de um encontro promovido pela AHIAV no final de outubro de 2025, realizado no Colégio Estadual da Aldeia Indígena Caramuru. A iniciativa teve como objetivo trazer os debates climáticos para dentro do território, fortalecendo a formação política da juventude e das mulheres indígenas e construindo coletivamente uma posição do povo Pataxó Hã-hã-hãe às vésperas da realização da COP 30 no Brasil.

Ao levar esse documento à COP, a AHIAV reafirmou seu compromisso com a escuta das bases e com a construção de uma agenda climática enraizada no território, que parte das vozes historicamente invisibilizadas nos grandes espaços de decisão.

O presidente da AHIAV, Fabrício Titiah, entregando à ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, a carta durante a COP30, em Belém.


Articulação com a APOINME e a APIB

A participação da AHIAV na COP 30 foi fruto de um processo coletivo de articulação e fortalecimento do movimento indígena, construída em parceria com a Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME) e com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB).

Essas articulações foram fundamentais para garantir a presença indígena nos espaços de debate e negociação, fortalecendo uma agenda comum de enfrentamento à crise climática, defesa dos territórios e reconhecimento do papel dos povos indígenas como guardiões da biodiversidade.

Presidente da AHIAV na Marcha Pela Vida nas ruas de Belém.

Um marco na trajetória da AHIAV

A presença da AHIAV na COP 30 representa um marco em sua trajetória institucional e política, consolidando a organização como uma referência na defesa dos direitos indígenas e na incidência socioambiental em âmbito nacional e internacional. Mais do que participar, a AHIAV levou propostas, denúncias e a força coletiva do povo Pataxó Hã-hã-hãe para um dos mais importantes fóruns globais sobre o futuro do planeta.

A AHIAV segue firme no compromisso de lutar por justiça climática, pelo fortalecimento dos territórios indígenas e pela proteção da Mata Atlântica, afirmando que não há solução para a crise climática sem os povos indígenas no centro das decisões.

ASSISTA: https://www.instagram.com/reel/DRDVufugWFO/?igsh=N3Q3MTFmNnF1cTJ2

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